O que separa duas pinturas feitas pela mesma mão 🌿


Olá!
Essa semana eu estava em casa me recuperando de uma gripe forte, sem conseguir fazer muita coisa, quando me peguei olhando para essas duas pinturas minhas lado a lado. Uma tem três anos. A outra é recente. E a primeira coisa que me veio foi essa: O que separa essas duas pinturas não é talento. É tempo.
Dentro dessas duas telas tem muita coisa que ninguém vê quando olha para o resultado final. Tem a esperança de sentar todo dia achando que vai melhorar e a frustração silenciosa de não ter melhorado. Tem horas e horas de tentativas que não deram certo. Muito tecido desperdiçado. Muita tinta jogada fora. Muita vontade de parar. Tem tempo de maturação, esse processo lento, invisível, que acontece mesmo quando você acha que não está evoluindo. Não há nenhuma técnica mágica aqui. Nenhuma dica milagrosa que de repente desbloqueia tudo. O que há é o gesto repetido, dia após dia, com paciência, e às vezes sem ela.
Eu sempre tive muita pressa pra tudo. Pressa pra aprender, pressa pra melhorar, pressa pra chegar em algum lugar que eu mal conseguia definir. E quanto mais o tempo passa, mais eu percebo: não adianta apertar o passo quando o processo tem o próprio ritmo. O corpo tem um tempo. A natureza tem um tempo. Você não faz o pão pular a fermentação apertando um botão. Um bebê não começa a andar antes de estar pronto, por mais que a gente queira. As coisas exigem tempo e isso não é fraqueza. É a forma como a vida funciona.
Vivemos num mundo que vende atalhos em todo canto. Cinco dicas infalíveis. Três passos para sair do ponto A ao ponto B sem esforço. Fórmulas que prometem resultados complexos com soluções simples demais para serem verdadeiras. E do alto dos meus já bem vividos 43 anos, posso te dizer com toda a tranquilidade: Pra tudo existe um processo. E na pintura não é diferente. Não há mágica que faça você dormir hoje e acordar amanhã sabendo pintar de uma forma que levou anos para se formar na minha mão.
Quando olho para essas duas pinturas, o que vejo não é só a diferença de três anos. Vejo a maturidade que só vem com o erro. Vejo a frustração que eu precisei atravessar sem saber se ia chegar em algum lugar. Vejo a persistência de continuar num dia em que eu não tinha certeza de nada. Vejo a coragem de fazer um pouquinho mesmo quando o resultado não aparecia. Na maternidade é assim. No casamento também. Em tudo que importa de verdade. Nem todo dia a gente tem certeza de que vai dar certo. E a diferença é que a gente faz assim mesmo. Faz porque acredita em alguma coisa que ainda não vê, porque não há outra forma de chegar lá, não há outra forma de existir.
Se isso te tocou, quero saber. comente aqui: tem alguma coisa na sua vida, na pintura, em outro lugar, onde você também está aprendendo a respeitar o tempo do processo? Vou ler cada resposta.
Com carinho, Diana 🌿
P.S. Gravei um vídeo sobre isso também, falando tudo isso de um jeito mais íntimo. Se quiser assistir, está no meu Instagram: @dianamagalhaes
